quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Dialeto
Perdido, mas sempre rodeado por pessoas. Talvez fosse uma boa definição sobre o que eu passava naquele momento, ou em todo o tempo que passei ali. A solidão que era normal aos meus olhos agora assombrava a minha mente.
Quem sabe se todos fossem iguais, eu não seria mais um dos infelizes, mas se fossemos, onde estaria a felicidade agora? Quem sabe.
Se eu fugisse de todos, a minha mente seria mais feliz, ou já estaria morta. Mas se eu me agarrasse a pessoa mais encantadora que meus olhos pudessem ver, meu corpo queimaria na tentação.
Na verdade não deveria estar ali, ou já deveria estar ali a muito tempo. Parece que o relógio chegou atrasado ao nosso encontro.
Com todos não pude me comunicar, não falávamos a mesma língua. Minha ignorância não me deixou aprender a língua deles, e o medo não lhes permitiu que me interpretassem. Em meio a tantas línguas, minha boca não sentiu nem um sabor.
Cercado pelas incertezas das palavras "Se", "Mas", "Talvez", a confusão doía na minha cabeça, Mas nunca me fizeram companhia. Pois essas palavras não mais faziam parte do meu jogo.
Tauan Coutinho
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Poesia a Vinicius de Moraes
Suas rugas no rosto
revelam a riqueza de maturidade do seu espirito
quando jovem,
solista amador
um poeta sofredor,
retratante da tristeza
expressa com tal clareza
que só à reconhece
quem à conhece .
Amigo das palavras
sua boca nunca cala
como os versos que hoje ainda
quem chora guarda,
quem ama guarda,
quem se entristece guarda.
Versos eternos são os teus
Quem me dera um dia
assim,
serem os meus.
revelam a riqueza de maturidade do seu espirito
quando jovem,
solista amador
um poeta sofredor,
retratante da tristeza
expressa com tal clareza
que só à reconhece
quem à conhece .
Amigo das palavras
sua boca nunca cala
como os versos que hoje ainda
quem chora guarda,
quem ama guarda,
quem se entristece guarda.
Versos eternos são os teus
Quem me dera um dia
assim,
serem os meus.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Pagina antiga 16/04/09
Me disseram para esquecer a poesia
A indecisa recuperação da minha mente
e a alegria que socorria os meus gritos.
Me disseram para abandonar a dissertante e vaga ideia dos sonhos
tão amedrontados
Que eu sonhava em sonhar
mas nunca sonhei.
Me disseram para acordar
minha fadiga era tanta
que rasguei os lábios outra vez e
aos berros socorri a mão ao peito
caindo de bruços
nos braços da minha cama,
escondendo de mim a minha própria verdade.
Me disseram isso,
me disseram aquilo,
Enfim, não dei ouvidos.
Matheus R. Viana
A indecisa recuperação da minha mente
e a alegria que socorria os meus gritos.
Me disseram para abandonar a dissertante e vaga ideia dos sonhos
tão amedrontados
Que eu sonhava em sonhar
mas nunca sonhei.
Me disseram para acordar
minha fadiga era tanta
que rasguei os lábios outra vez e
aos berros socorri a mão ao peito
caindo de bruços
nos braços da minha cama,
escondendo de mim a minha própria verdade.
Me disseram isso,
me disseram aquilo,
Enfim, não dei ouvidos.
Matheus R. Viana
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Versos Tristes
"Escrever é como morrer
é como jogar o coração no chão
deixa-lo nas páginas grampeadas
e amassa-lo, pisa-lo, escarra-lo.
Escrever é como abandonar a paz
um abraço no tormento
na dor
no desalento.
Escrevo abraçando o ódio
me sufocando dentre a tristeza
causando minha própria despesa mental
Escrevo quando estou triste
porque quando feliz, eu vivo
do contrário, eu morro"
Matheus Romano
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Substituível
Sempre pensei que poderia ser substituído, que a outra pessoa andando do meu lado poderia fazer tudo o que eu posso fazer, e até melhor. Todos ou qualquer um poderiam tomar o lugar que nunca foi meu.
Se isso for realmente verdade, vou me cansar de tanto perguntar "Por que devo me importar?". Talvez feito isso, vou tirar o peso das minhas costas e jogar em cima de alguns, de alguns que são todos, e os todos que não são ninguém.
Já que todos podem ficar no meu lugar, simplesmente vou procurar outro por ai. Esse outro lugar que eu sempre vou desejar em estar, o lugar em que meu ego e egoísmo vão me tornar único e insubstituível.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Diário.
Acordo, levanto, olho no espelho, olho as horas, tomo banho, apronto-me, como, saio, chego, leio, escrevo, penso, aprendo, esqueço, tenho sono, tenho fome, tenho medo, o coraçao gela, as mãos tremem, sorrio, me decepciono, amo, beijo, volto, me contento, estudo, leio, escrevo, tenho sono, levanto, entro, saio, entro, tenho fome, como, te escrevo, te imagino, estudo, estudo, estudo, estudo, penso em você, tenho medo, choro, rio, me recordo, sinto saudade, choro, me desespero, durmo, acordo, mal me recordo dos motivos do meu pranto, esqueço, levanto, olho no espelho, tudo de novo outra vez.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Existência
Talvez não era, não foi ou ainda será,
Só por um momento aquilo irá,
No clarão do dia se apagar
E na boca dos muitos irá parar.
Talvez não era, na nova era
Para acontecer, a mais bela das especies
Não deveria nascer, para que com o tempo
Não suplicasse para a morte lhe conter.
Mas a certeza que fugiu,
Na sexta palavra do segundo verso
Desse emaranhado de palavras,
Fugaz tentou, e foi.
Mas na luz da noite e,
Na escuridão do dia,
O sorriso da menina estará,
Não era, não foi, mas ainda será.
Tauan Coutinho
Só por um momento aquilo irá,
No clarão do dia se apagar
E na boca dos muitos irá parar.
Talvez não era, na nova era
Para acontecer, a mais bela das especies
Não deveria nascer, para que com o tempo
Não suplicasse para a morte lhe conter.
Mas a certeza que fugiu,
Na sexta palavra do segundo verso
Desse emaranhado de palavras,
Fugaz tentou, e foi.
Mas na luz da noite e,
Na escuridão do dia,
O sorriso da menina estará,
Não era, não foi, mas ainda será.
Tauan Coutinho
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Terra dos tolos
Dominei aquela terra, com carisma e ódio, ali coloquei minha bandeira, em cima daquele belo monte, para mostrar que ali ninguém mais iria reinar.
Tirei dali qualquer confiança, esperanças de que eu iria cair foram em vão. Nada restou.
Parti, destemido, continuei a seguir, para a terra que me destinava governar. Sem nada a perder, tudo ali levei a perdição, nem um simples grão de areia poderia sobrar, nenhuma memoria deveria restar. Não merecer piedade seria incorreto, mas ignorar aquele olhar destemido em meus olhos seria um pecado.
Assim eu fui, pensando que o mais valioso dos tesouros agora poderia achar, mas o meu erro foi a todos ignorar.
A população toda a suplicar, e a bandeira branca a hastear, paz eles pedirão.
A bandeira branca, em chamas, ao vento lancei. Pois aquela bela terra eu finalmente reinarei.
Quando me dei a luxo de ler a placa ao final, finalmente me toquei, que a terra dos tolos eu facilmente dominei, e talvez, mais um deles eu me tornei.
Tauan Coutinho
domingo, 4 de agosto de 2013
Hoje, esqueci
Hoje, esqueci de amar,
Esqueci de olhar pela janela,
Só pra me fazer lembrar.
Esqueci de viver aquele momento ou outro,
que agora está perdido.
Que esqueci de ter vivido.
Hoje, não faz tanto sentido quanto ontem,
Pois o amanhã ainda não nasceu.
Talvez então, o futuro ainda não morreu.
Esqueci, somente disso.
Daquele sorriso, daquela palavras,
Que morreram sufocadas.
Voltei a pensar, o que poderias eu esquecer?
Talvez algo perdido no ar,
Ou algo que faça meu mundo girar.
Esqueci, então morri.
Cansado de pensar, amar.
Cansado de tentar me fazer lembrar.
Tauan Coutinho
Esqueci de olhar pela janela,
Só pra me fazer lembrar.
Esqueci de viver aquele momento ou outro,
que agora está perdido.
Que esqueci de ter vivido.
Hoje, não faz tanto sentido quanto ontem,
Pois o amanhã ainda não nasceu.
Talvez então, o futuro ainda não morreu.
Esqueci, somente disso.
Daquele sorriso, daquela palavras,
Que morreram sufocadas.
Voltei a pensar, o que poderias eu esquecer?
Talvez algo perdido no ar,
Ou algo que faça meu mundo girar.
Esqueci, então morri.
Cansado de pensar, amar.
Cansado de tentar me fazer lembrar.
Tauan Coutinho
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Procura
Tento resolver o mistério da minha alma,
Que se perdeu entre a multidão.
Rezo para que não tenha sido devorada pelos devotos.
E que de mim sobre somente um corpo vazio.
Procuro nos lugares mais medonhos,
Pois ela talvez procure um disfarce qualquer.
Vou procurar nos lugares mais chiques da cidade,
Porque sabes ela que não teria eu,
Audácia de entrar lá.
Mas a procura não durou muito tempo,
Ela estava em cima de uma ponte,
Se preparando para pular.
Agora que a tenho de volta,
Guardo-a dentro de mim,
E não a vista,
Na imagem que pretendo criar.
Tauan Coutinho
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Dilema
Em outrora,
Pendi meu peito para os lados,
nos lados mais errados meu coração se sujou,
Amordaçado,
Petrificado pelos teus lábios.
Ele se jogava no meu solo ardente,
Quebrava os dentes,
Mas não desistia de te amar.
E que amor foi esse,
Quando comecei a te beijar?
Matheus Romano
Pendi meu peito para os lados,
nos lados mais errados meu coração se sujou,
Amordaçado,
Petrificado pelos teus lábios.
Ele se jogava no meu solo ardente,
Quebrava os dentes,
Mas não desistia de te amar.
E que amor foi esse,
Quando comecei a te beijar?
Matheus Romano
terça-feira, 16 de julho de 2013
Infância na madrugada
Enquanto estou aqui sentado, naquela grama à beira das rodovias, podia pensar em tudo e todos.
Poderia refletir nos problemas mais complexos, ou nas coisas mais banais. Poderia me perguntar onde está o amor que todos procuram, mas resolvi deixar as coisas tão banais de lado.
Quando me vi pensando na minha infância, pensei em lembrar das notas daquela velha canção que me mantinha na forma de uma criança, ou que me fazia pensar que ainda era uma. Então levantei-me e comecei a caminhar sobre a grama.
Chutava o lixo que os motoristas jogavam pela janela, como se fosse nada. Quando me vi pensando sobre os velhos temas que me intrigavam, talvez nada muito complexo, mas talvez fosse o suficiente para esquecer do tempo.
Comecei a me equilibrar no meio-fio da estrada, para saber se ainda tinha a mesma emoção. Talvez não, mas a nostalgia daquele tempo trouxe um pouco daquele sabor. Lembrei então, que costumava fazer birra com as decisões dos adultos, então resolvi fazer o mesmo com a minha ignorância.
Quando o sol dava sinais de que ia nascer, fui em direção ao lar, cantando as cantigas mais clássicas,
e me fazendo entender de que a lembrança de ontem ainda estava fresca em minha memoria.
Tauan Coutinho
Poderia refletir nos problemas mais complexos, ou nas coisas mais banais. Poderia me perguntar onde está o amor que todos procuram, mas resolvi deixar as coisas tão banais de lado.
Quando me vi pensando na minha infância, pensei em lembrar das notas daquela velha canção que me mantinha na forma de uma criança, ou que me fazia pensar que ainda era uma. Então levantei-me e comecei a caminhar sobre a grama.
Chutava o lixo que os motoristas jogavam pela janela, como se fosse nada. Quando me vi pensando sobre os velhos temas que me intrigavam, talvez nada muito complexo, mas talvez fosse o suficiente para esquecer do tempo.
Comecei a me equilibrar no meio-fio da estrada, para saber se ainda tinha a mesma emoção. Talvez não, mas a nostalgia daquele tempo trouxe um pouco daquele sabor. Lembrei então, que costumava fazer birra com as decisões dos adultos, então resolvi fazer o mesmo com a minha ignorância.
Quando o sol dava sinais de que ia nascer, fui em direção ao lar, cantando as cantigas mais clássicas,
e me fazendo entender de que a lembrança de ontem ainda estava fresca em minha memoria.
Tauan Coutinho
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Busca
Ver ela ali, parada, distante de tudo e de todos, era ruim, causava uma agonia como fosse um sinal
da minha responsabilidade sobre ela. E isso não podia acontecer, era como um fracasso próprio.
Busquei as maneiras para faze-la esquecer daqueles problemas inúteis, que eram a fonte daquela
agonia que me afetava, então fui ao encontro daquele velho trem que ficava parado na nossa estação,
que fazia um barulho irritante, o barulho que tentava preencher o vazio na mente das pessoas, enquanto
todos gritavam "Pare esse trem".
Por aqueles trilhos enferrujados subi o monte dos meus próprios pensamentos para encontra-la,
mas parecia que tinha perdido meu próprio sentido, minha razão se direcionava para coisas contrarias.
O frio talvez, fosse o pior inimigo, me fazia querer esquecer tudo aquilo, tudo em troca de um calor
qualquer.
Já que as pessoas pararam meu velho trem, decidi descer e pegar o caminho que levava até. Por entre
as sombras das arvores, tentava lembrar das maneiras que tinha para faze-la feliz, que
costumava usar para fazer até mesmo o meu próprio tempo passar.
Quando cheguei no alto daquele monte, ela já estava afogando-se nas próprias lagrimas, desejando que outro alguém estivesse ali. Vendo isso descobri que ela não estava distante de todos, somente de mim. E todos aqueles meios que tinha para faze-la feliz, não os tinha esquecido, só não os tinha aprendido.
Tauan Coutinho
terça-feira, 25 de junho de 2013
Inspiração
Sem deixar a menor duvida, era ela que batia a minha porta, a inspiração. Para tornar os sentimentos que dormem em mim, atos que se distorcem na visão de outras pessoas.
Essa mesma inspiração que se torna a droga da minha consciência. Aquela simples sensação que excita os demônios prisioneiros da minha razão.
Ela sutilmente senta ao meu lado, para escutar todas as minhas insatisfações, para tentar me mostrar que ela é a solução para todos os problemas.
Deito - me com a cabeça em seu colo, para simbolizar a solidão que estou vivendo, e para receber um pouco de piedade.
Em resposta, ela passa a mão pela minha cabeça, como um carinho que sempre desejava, então fecha meus olhos, para que os melhores sonhos possam acontecer.
Com sua presença me sentia livre, mas ao mesmo tempo preso a sua proteção. Isso me tornava frágil, sendo quase inútil mundo afora.
Mas talvez isso fosse bom, não precisaria viver com medo de tudo, estaria livre de tal fardo.
Chegada o final de sua visita, ela beijava minha testa e se levantava, mostrava a mim de que não havia nada o que procurar, Pois a vida dentro da minha cabeça é mais segura do que fora daquelas paredes.
Então lá vai ela, passando por aquela porta, indo iludir o resto de nossos irmãos.
Tauan Coutinho
Essa mesma inspiração que se torna a droga da minha consciência. Aquela simples sensação que excita os demônios prisioneiros da minha razão.
Ela sutilmente senta ao meu lado, para escutar todas as minhas insatisfações, para tentar me mostrar que ela é a solução para todos os problemas.
Deito - me com a cabeça em seu colo, para simbolizar a solidão que estou vivendo, e para receber um pouco de piedade.
Em resposta, ela passa a mão pela minha cabeça, como um carinho que sempre desejava, então fecha meus olhos, para que os melhores sonhos possam acontecer.
Com sua presença me sentia livre, mas ao mesmo tempo preso a sua proteção. Isso me tornava frágil, sendo quase inútil mundo afora.
Mas talvez isso fosse bom, não precisaria viver com medo de tudo, estaria livre de tal fardo.
Chegada o final de sua visita, ela beijava minha testa e se levantava, mostrava a mim de que não havia nada o que procurar, Pois a vida dentro da minha cabeça é mais segura do que fora daquelas paredes.
Então lá vai ela, passando por aquela porta, indo iludir o resto de nossos irmãos.
Tauan Coutinho
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Tempo livre
Nesse pouco tempo,
Vou tentar ser melhor,
Ou pelo mesmo,
Fazer o que há de melhor.
Vou me sentar, e sentir
O vento passar pela casa.
Vou olhar pela janela,
E tentar enxergar o céu azul por entre os muros.
Vou tentar esquecer dos problemas,
E me iludir que eu posso acabar com eles,
Ou simplesmente ficar quieto por um tempo,
Enquanto ainda estou livre.
Afim disso, peguei uma folha e uma caneta,
Para mostrar o que pretendia fazer,
E para tentar escrever,
Tudo o que você queira saber.
Tauan Coutinho
sábado, 11 de maio de 2013
Pedido l
Ver aquela jovem daquela maneira, talvez fosse triste, mas para mim era satisfatório, me senti útil, com algum poder de misericórdia sobre alguém.
Ali, caída ao chão, estava alguém que pude ajudar. Não mais sofria, graças a mim.
Perdido em qualquer lugar, andava sem medo, procurando o que talvez eu não fosse encontrar.
Parei para me sentar em um banco, sem me incomodar pela moça que estava ao lado. Pretendia ignora-la, como o resto das pessoas fazia a mim. Mas pelo visto, aquela mulher me esperava. Tentou falar comigo, com um tom de voz angustiante, como se falasse com uma pessoa realmente desejada.
Perguntou me se era eu quem ela esperava. Confuso, tentei me acalmar e acabar com suas expectativas. Falei que era somente um homem, nada mais.
Subitamente, ela falou sobre seus erros e desesperos, como se suplicasse ao destino por piedade.
Já não desejava nada, somente não se responsabilizar por tudo o que fez.
Clamava a minha ajuda, ou o meu perdão. Mas estava eu realmente confuso, por que pediria o perdão para alguém como eu?
Talvez devesse ter tentado acalma-la, ou tentar não ignorar o que ela falava.
Em todas suas lamentações pediu o meu perdão, o que ao meu ver parecia inútil, pois não seria eu capaz de absorver qualquer tipo de pecado.
Friamente, quando parecia que ela já não tinha argumentos para mim, me fez um pedido.
Desejava que lhe desse um fim, com o mesmo olhar dos que a julgavam, para que ela sempre pudesse se lembrar do que fizera, e que aquilo pudesse simbolizar uma punição.
Isso realmente foi estranho, mas pelo visto, minha pena, me fez parar em tal situação.
Tauan Coutinho
sexta-feira, 10 de maio de 2013
O que não vi na vida
Não pude ver,
O que vários tentavam mostrar.
E tudo o que temia,
Tentava subitamente escapar.
Não pude ver as pessoas mostrarem compaixão,
Ou ao menos me estenderem a mão.
Presenciei mais mentiras do que verdades,
Mas descobri que a vida está coberta de falsidades.
O que ainda não vi na vida,
Talvez ainda verei.
Porque ainda tenho tempo,
Muito tempo para perder.
Tauan Coutinho.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O dia que não acordou.
Nessa manhã
O sol não acordou,
os pássaros não cantaram,
O vento não soprou.
Não como devia.
Nessa manhã
O galo da vizinha não cantou,
O cara da buzina
não buzinou,
O velhinho das frutas não se manifestou.
Nessa manhã
Não amanheceu,
ficou escuro e penumbroso.
O silêncio evadiu todos os cantos
deixando o seu rastro de ausência permanente.
Nessa manhã acordei,
Mas vi meu corpo deitado
Na cama ao lado
Sem respirar,
sem se movimentar,
Frio e calmo
como o dia a brotar.
Fiquei ali me esperando acordar.
Matheus R. Viana
O sol não acordou,
os pássaros não cantaram,
O vento não soprou.
Não como devia.
Nessa manhã
O galo da vizinha não cantou,
O cara da buzina
não buzinou,
O velhinho das frutas não se manifestou.
Nessa manhã
Não amanheceu,
ficou escuro e penumbroso.
O silêncio evadiu todos os cantos
deixando o seu rastro de ausência permanente.
Nessa manhã acordei,
Mas vi meu corpo deitado
Na cama ao lado
Sem respirar,
sem se movimentar,
Frio e calmo
como o dia a brotar.
Fiquei ali me esperando acordar.
Matheus R. Viana
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Osmose
A ideia de escrever um conto de terror me veio à cabeça já há algum tempo, mas não encontrava tempo para fazê-lo, e quando enfim encontro o almejado tempo para poder enfim escrevê-lo, as ideias fogem de meu alcance. Considero um fato raro em meu currículo, pois o conhecimento costuma fluir em meu imaginário sem ao menos ser adquirido. Osmose. Processo geralmente inconsciente de assimilação ou absorção de uma ideia ou fato. Se deve a isto a dialética de meu ser. Tudo acaba por vir à tona no momento certo. É involuntário. E deveria estar acontecendo agora! Em todos os lugares já busquei inspiração, mas nenhuma ideia tenho para este conto que acho que desistirei de escrever... Mas não posso desistir, só os fracos desistem, tenho que passar a buscar o conhecimento em fontes concretas, meu imaginário deve estar precisando de descanso... Mas não é meu imaginário, é minha memória, tudo é questão de O-S-M-O-S-E. Acho que o mundo das ideias está cansado de receber pedidos do tipo "o que é isso?", "como se faz isso?", "o que eu faço agora?". Oh Mestre, por que alimentastes minhas esperanças? Esse mundo das ideias não está me servindo quando mais preciso. São tantas falsas esperanças que vêm e vão na mesma velocidade, e as MINHAS ideias estão repousando sob um universo paralelo que, segundo o mestre, só tem acesso os sábios. Então sou um sábio! Ou era... São tantas teorias, esquecimentos, processos, hipóteses e um bom platonismo de boteco que eu acabei por esquecer do meu conto, oh Mestre, por que é tão difícil pensar? Chega CHEGA C-H-E-G-A, suponho que não existam leitores assíduos suficientes para ficarem se deleitando com as minhas lamentações. Falarei agora do conto, que vou escrever, em breve é claro. Agora não é hora. Não falarei também da minha desgraça, a desgraça de não saber pensar, mas as ideias já se foram, ou melhor, não vieram e as p
a
l
a
v
r
a
s
s
e
d
e
s
m
a
n
c
h
a
m, e o pouco que ainda me resta, se v a i...
Livre
Tudo me lembra você, mas como isso acontece se já vejo nada que me importa?
Nos atos vulgares e injustos que rodam por ai, sua lembrança me vem de forma simples.
Já não sei se dou realmente valor para algo para sentir sua falta, talvez eu te desvalorize de maneira ofensiva, mas também posso te ver como algo inalcançável, algo que eu não sou digno.
Me perguntar como isso pode acontecer é confuso, tudo sobre isso me torna mais perturbado por meus próprios pensamento, mas talvez isso seja bom, preencha um vazio.
Minhas atitudes são comuns, mas isso não as torna certas, nem me tornam mais feliz.
Isso é bom, toda minha confusão, me fazendo procurar razões corretas. Talvez eu me torne realizado, ou menos amargurado.
Não sei porque te cito nas minhas palavras, não tenho afeto. Mas talvez um laço.
Talvez queira te encontrar no mundo, em um novo mundo, no qual as paredes do meu quarto já não são suficientes.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
VII
O teu corpo está sujo
e sua pele clama por minhas mãos.
E pelos meus lábios
E pelas minhas palavras.
O teu corpo está sujo,
E nada vai limpa-lo,
Além.
De minhas mãos,
Dos meus lábios,
Das minhas palavras.
O teu corpo está sujo,
Mas hoje não vou limpa-lo.
Nem minhas mãos,
Nem meus lábios,
Nem minhas palavras.
Matheus R. Viana
e sua pele clama por minhas mãos.
E pelos meus lábios
E pelas minhas palavras.
O teu corpo está sujo,
E nada vai limpa-lo,
Além.
De minhas mãos,
Dos meus lábios,
Das minhas palavras.
O teu corpo está sujo,
Mas hoje não vou limpa-lo.
Nem minhas mãos,
Nem meus lábios,
Nem minhas palavras.
Matheus R. Viana
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Palavras não ditas, escritas.
Escorregou dos meus dedos,
A faca que cortava e,
dilacerava minha alma.
Escapou das minhas mãos,
As mãos que me seguravam
Me apertavam e não me deixavam gritar,
Não me deixavam respirar.
Fugiu dos meus medos,
O vazio da minha dicção,
Que cortava minha língua e a deixava sem falas.
Raras palavras que deixei escorregar das minhas mãos.
Mais nada atinjo,
Mais nada posso ferir agora,
Além de mim,
Caído no chão,
Com ambas mãos
Vazias,
Frias...
Inúteis.
Escorregou dos meus dedos,
Palavras que não consigo soltar pela minha boca.
Que me obrigam a escreve-las.
A faca que cortava e,
dilacerava minha alma.
Escapou das minhas mãos,
As mãos que me seguravam
Me apertavam e não me deixavam gritar,
Não me deixavam respirar.
Fugiu dos meus medos,
O vazio da minha dicção,
Que cortava minha língua e a deixava sem falas.
Raras palavras que deixei escorregar das minhas mãos.
Mais nada atinjo,
Mais nada posso ferir agora,
Além de mim,
Caído no chão,
Com ambas mãos
Vazias,
Frias...
Inúteis.
Escorregou dos meus dedos,
Palavras que não consigo soltar pela minha boca.
Que me obrigam a escreve-las.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Presença
Com sutileza e paciência ela sempre me acompanhava, era simplesmente um tormento, uma praga, e ao mesmo tempo uma razão que guiava em meio a tantas desilusões que me perseguiam.
Em meio as pessoas que me odiavam e tentavam tirar proveito daquilo que talvez eu pudesse oferecer, lá estava ela, sentada em meio ao caos, com o mesmo olhar frio e destemido de sempre.
Nada poderia me separar de tal ser. Nem a maior das bençãos, ou a pior das desgraças. Em todos os momentos, sempre esteve ali, para me mostrar quem realmente eu era, e qual seria o meu destino.
Todos os prazeres possíveis não poderiam me fazer ignorar ou esquece-la, simplesmente era mais intensa do que até o que não se podia imaginar. Facilmente me mostrava todos os desesperos possíveis e devidamente guardados para mim.
Era uma amiga presente, e uma inimiga gentil. Protegia-me dos males da bondade das pessoas, e esperava uma queda. Mas nem se quer poderia eu imaginar quem ela realmente era. Não poderia ser a morte, pois ela se apegou a mim, de maneira repentina e explicita.
A sua proteção se tornou vital para minha sobrevivência mas também me isolou de tudo e de todos. Todos os desesperos que havia me prometido de forma impiedosa, não foram concebidos. Apenas sua presença era o que me restava.
Eu tinha a ela, e ela tinha a mim. Era somente isso que tudo tinha se tornado, todo aquele tempo que me observava foi preciso para levar aquele ponto. Aparentemente ela se apresentou, e agora tudo fazia sentido. Por abandonar todos, a solidão tinha se tornado, a minha melhor amiga.
Tauan Coutinho.
Em meio as pessoas que me odiavam e tentavam tirar proveito daquilo que talvez eu pudesse oferecer, lá estava ela, sentada em meio ao caos, com o mesmo olhar frio e destemido de sempre.
Nada poderia me separar de tal ser. Nem a maior das bençãos, ou a pior das desgraças. Em todos os momentos, sempre esteve ali, para me mostrar quem realmente eu era, e qual seria o meu destino.
Todos os prazeres possíveis não poderiam me fazer ignorar ou esquece-la, simplesmente era mais intensa do que até o que não se podia imaginar. Facilmente me mostrava todos os desesperos possíveis e devidamente guardados para mim.
Era uma amiga presente, e uma inimiga gentil. Protegia-me dos males da bondade das pessoas, e esperava uma queda. Mas nem se quer poderia eu imaginar quem ela realmente era. Não poderia ser a morte, pois ela se apegou a mim, de maneira repentina e explicita.
A sua proteção se tornou vital para minha sobrevivência mas também me isolou de tudo e de todos. Todos os desesperos que havia me prometido de forma impiedosa, não foram concebidos. Apenas sua presença era o que me restava.
Eu tinha a ela, e ela tinha a mim. Era somente isso que tudo tinha se tornado, todo aquele tempo que me observava foi preciso para levar aquele ponto. Aparentemente ela se apresentou, e agora tudo fazia sentido. Por abandonar todos, a solidão tinha se tornado, a minha melhor amiga.
Tauan Coutinho.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Renúncia
Os bobos erguiam o beiço
forjado pelas mãos do diabo.
Confundiam a terra com o inferno
e pensavam:
- Aqui é o meu lugar.
Mas nada era deles.
Clamei deus
mas ele correu,
Clamei a mim
mas minha alma
falecida já estava
E quando chamei por alguém
Ninguém apareceu,
Ninguém se ofereceu,
Ninguém me socorreu.
Os bobos ergueram o beiço
E quase bobo fiquei
Quando por um só beijo
Me abandonei,
E dediquei tudo que tinha
para o beijo que tanto sonhei,
Mas nunca ganhei.
Os bobos ergueram o beiço ,
E chorei.
Matheus R. Viana
forjado pelas mãos do diabo.
Confundiam a terra com o inferno
e pensavam:
- Aqui é o meu lugar.
Mas nada era deles.
Clamei deus
mas ele correu,
Clamei a mim
mas minha alma
falecida já estava
E quando chamei por alguém
Ninguém apareceu,
Ninguém se ofereceu,
Ninguém me socorreu.
Os bobos ergueram o beiço
E quase bobo fiquei
Quando por um só beijo
Me abandonei,
E dediquei tudo que tinha
para o beijo que tanto sonhei,
Mas nunca ganhei.
Os bobos ergueram o beiço ,
E chorei.
Matheus R. Viana
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Assassinato
Ali,
Parado na calçada de pedra,
Eu via as barbas do profeta
Os olhos do profeta
O escuro do profeta.
O cigarro de palha,
Da esquina fedia
E queimava nos dedos da vadia que o fumava
E atrapalhavam os clientes que ali passavam.
Ali,
Parada no céu estava a lua
Nua,
Envergonhada e triste,
Sem sorriso
Sem luz
Sem estrelas.
Do outro lado da terra,
O sol zombava dela
Da lua amarela
Que nunca
Em noite alguma
Fora tão bela.
Ali
Parado,
Do outro lado,
Estava eu,
Vadio infeliz
Com os dentes escondidos amarelos,
Com a ponta dos dedos a queimar,
Chorando e,
Olhando nos olhos do profeta,
De frente para o profeta,
Que não preveu,
Que não morreu.
Matheus R. Viana
Parado na calçada de pedra,
Eu via as barbas do profeta
Os olhos do profeta
O escuro do profeta.
O cigarro de palha,
Da esquina fedia
E queimava nos dedos da vadia que o fumava
E atrapalhavam os clientes que ali passavam.
Ali,
Parada no céu estava a lua
Nua,
Envergonhada e triste,
Sem sorriso
Sem luz
Sem estrelas.
Do outro lado da terra,
O sol zombava dela
Da lua amarela
Que nunca
Em noite alguma
Fora tão bela.
Ali
Parado,
Do outro lado,
Estava eu,
Vadio infeliz
Com os dentes escondidos amarelos,
Com a ponta dos dedos a queimar,
Chorando e,
Olhando nos olhos do profeta,
De frente para o profeta,
Que não preveu,
Que não morreu.
Matheus R. Viana
terça-feira, 2 de abril de 2013
Submerso
Todos aqueles
planos eram farsas, nada daquilo me levou para lugar algum. Simplesmente nunca
seriam possíveis aquelas idéias, mas meu desespero por sentimentos intensos me
levaram a crer em realizações que vão contra a lógica.
Viver com foco em
realizar ações impossíveis tornaram o meu tempo inútil, mas você sempre soube
disso, me fez perseguir o que eu nunca poderia alcançar. Mas por que eu te
daria razão no meu próprio destino?
Talvez porque uma
promessa de companhia fosse tudo que eu precisava, um pouco de calor para
esquentar uma alma fria.
Mas se realmente
tivesse batalhado por aquilo, por tudo que planejamos, talvez, não estaríamos assim
hoje. Com o passar do tempo nossas obsessões se tornaram distintas, já não procurávamos
os mesmos caminhos.
Tornamos-nos opostos,
nenhum de nós podia oferecer mais nada de útil ao outro, perdemos nossa
utilidade.
Aparentemente os obstáculos
para nossos planos foram nós mesmos.
Lamentar-me por
isso me parecia o certo a fazer, preferiria fazer isto a pensar que tudo aquilo
era possível, mas somente eu falhei.
Mas apesar de
tudo, você continua ao meu lado, parecia que todos os planos eram somente para
matar o tempo, essa situação era nossa verdade.
E você, talvez
seja somente a parte de mim que eu havia perdido há muito tempo, e já não posso
mais viver sem.
Tauan Coutinho
domingo, 31 de março de 2013
Certo dia...
Então você acorda. Lava os olhos,
escova os dentes e logo depois toma café da manhã. Se senta-se à mesa sozinho,
pensa por alguns segundos, mas acaba desistindo por falta de coragem, pois
já sabe que seu pensamento será vago. Então se levanta da mesa deixando os
copos por lavar e a mesa suja de migalhas de pão. Volta para o quarto e se
deita na cama. Nada lhe vem a mente além de seus pobres e míseros dias
fracassados. Você tenta chorar, mas não consegue, tenta sorrir, mas algo o
atrapalha. Passam-se horas e você não quer se levantar, a dor no seu peito não
deixa você parece estar preso, acorrentado, mas então lhe vem à mente o fato de
você mesmo se aprisionar. Você chora por ter total certeza de que você é um
inútil, lamenta e lamenta. Quando menos percebe já é anoite, e tudo que
você fez foi ficar na cama se lamentando. Logo vem a sua mente um pequeno
rastro de fome, mas logo se esquece por se queixar de tantas magoas. Procura
dormir, mas não consegue, procura sorrir, mas não consegue, procura ter amigos,
mas não consegue. Então acaba desistindo de procurar. E acaba morrendo ali,
cansado, de amigos, do dia, da noite, do computador, da rua, do barulho dos
carros na avenida, da sua família, dos seus animais. Cansado de começar tudo
outra vez em um lugar novo. Cansado de acertar e dizerem que está errado.
Cansado de si mesmo. Cansado de tudo.
Matheus R. Viana
segunda-feira, 25 de março de 2013
O beijo
Ainda sinto o gosto dos teus lábios nos meus,
Quando olho pra lua,
Olho nos teus olhos,
E nos teus olhos queria eu,
Pobre,
Fraco e inútil morar.
Sem moral,
Sem regras,
Apenas viver ali,
Cuidando dos teus olhos,
Olhando teus lábios,
Fazendo carinhos a sua pele.
Ainda sinto o gosto do seu rosto nas minhas mãos.
Ainda sinto o aroma de seu perfume nas minhas roupas,
Ainda sinto você,
Em mim,
Sorrindo,
e me fazendo sorrir.
Matheus R. Viana
Quando olho pra lua,
Olho nos teus olhos,
E nos teus olhos queria eu,
Pobre,
Fraco e inútil morar.
Sem moral,
Sem regras,
Apenas viver ali,
Cuidando dos teus olhos,
Olhando teus lábios,
Fazendo carinhos a sua pele.
Ainda sinto o gosto do seu rosto nas minhas mãos.
Ainda sinto o aroma de seu perfume nas minhas roupas,
Ainda sinto você,
Em mim,
Sorrindo,
e me fazendo sorrir.
Matheus R. Viana
sábado, 23 de março de 2013
Vezes
As vezes me desmonto em meio a prantos.
As vezes jogo pratos no vento,
E os faço desmontar.
As vezes tenho medo de ser eu,
As vezes tenho vontade de chorar.
Mas só as vezes...
Quando esqueço o que sou,
A felicidade vem me visitar,
Me traz um prato,
E prantos colados,
Que eu joguei no vento,
Com a intenção de desmontar.
Matheus R. Viana
terça-feira, 19 de março de 2013
Vazio
Foi difícil para mim,
descobrir que tudo e todos não passavam de uma mentira, que tudo aquilo que me
cercava não passava de ilusões para me prender em realidades falsas.
Não demorou
para que eu percebe-se tudo aquilo. Sempre foi normal pensar que todos tinham
próprios caminhos, que independe do que acontece–se comigo, todas as pessoas
seguiriam em frente.
Mas tudo era
mentira, todas as pessoas não passavam de fantoches. Existiam somente para não
me sentir sozinho, em um vazio quase indescritível.
Alguns desses
eram próximos, me faziam acreditar que realmente podiam ser diferentes de mim,
de tudo que eu podia imaginar, mas eles eram apenas partes perdidas da minha
imaginação.
Imaginar que
tudo o que acontecia somente era isso, situações complexas nada mais eram do
que uma simples ilusão. Realmente era triste descobrir aquilo.
Mas continuei
vivendo aquela mentira, tentando encontrar alguma razão naquilo tudo, por medo
de cair em um vazio sem propósito.
No final das contas, nada mais
sou, do que um protagonista de uma peça ruim.
Tauan Coutinho.
domingo, 17 de março de 2013
O reencontro.
Esperava por aquele momento como se fosse o último. Contava os segundos para olhar dentro de seus olhos, que me remetiam a sentimentos que iam além de meu imaginário. Você me fazia bem, me mantinha em seus braços de forma com que nada pudesse me atingir. Me lembro bem do seu sorriso torto, da sua face pálida, mas que se corava quando um beijo eu lhe dava. Eramos felizes. Você me completava, era tudo o que eu tinha, mas eu sempre quis mais. Certo dia me cansei do seu amor, do seu carinho, me cansei de seus beijos faces e sorrisos, e decidi partir sem dar explicações. Queria viver a vida boemia, talvez assim esquecesse do amor, que foi tão forte que de repente me entediou. Aproveitei noites e mais noites na companhia de cortesãs e acompanhantes, mas nenhuma se comparava à você. De vez em quando perguntava à conhecidos como você estava, eles sempre me negavam a responder. Até que percebi que a vida devassa não me levara a lugar algum, só me confirmara cada vez mais que o meu lugar era com você e ninguém mais. Queria de novo seu carinho, seu olhar, seu sorriso, seu beijo, seu abraço, acima de tudo queria você. Em todos os lugares que ia, meus olhos involuntariamente procuravam por você. Com muita insistência de minha parte uma antiga amiga me contou onde você morava. Mas chegando lá percebi que ninguém estava. Todos os dias batia à sua porta, mas nada ali parecia se mover, tudo parecia morto. Até que um dia, quando à sua porta eu bati escutei um choro baixinho, mas que reconheceria mesmo que à vinte mil léguas submarinas. Era você. Deixei por debaixo da porta um bilhete com local e horário marcados, era minha última esperança, eu precisava te ver. A "escadaria para o paraíso" fora o local marcado, era o nosso lugar, e então, às dezenove horas lá estava eu, escondido entre as pilastras esperando por você. Meu coração mantinha-se disparado, a cada segundo percebia estar mais perto de você. Ouvi passos singelos no piso de madeira de que era feita a ingrime escada. Senti sua presença, era você. Me afastei do topo da escadaria, agora mais escondido, escutava os passos cada vez mais rápidos, até que se paralisaram. Sai do meu esconderijo e não hesitei em abrir um enorme sorriso. Ela estava com uma palidez assustadora, parecia não ver a luz do dia há anos. Estava bem diferente da época em que estávamos juntos, me lembro dela radiante, mas agora não mais. Nos olhamos incansavelmente por alguns segundos, até que estiquei meus braços para que fossem de encontro às mãos de minha doce amada, que hesitou e tropeçou e rolando saiu escada à baixo. Fiquei estático por um longo segundo, não sabia o que fazer. Quando desci as escadas vi seu corpo, que já pairava imóvel sob o assoalho úmido daquele local. Involuntariamente coloquei minha mão sobre a sua, mas já não sentia seu pulso. Estava morta. Eu matei quem mais me amou nessa vida. [...] Era um monstro, esperei tanto tempo por esse reencontro e tudo acaba assim, sem nenhuma palavra trocada. [...] Mesmo que fosse estranho, estava feliz, se ela fora a meu encontro foi porque ainda me amara. Não era digno de tão puro amor...
Julia Dutra
sábado, 16 de março de 2013
Alma.
Subi com cautela a ingrime escadaria que pairava grandiosa sob o meu olhar. E com singelos passos alcancei o ápice da insensatez. Era você, simples, frágil e um pouco intimidado com minha presença. Aos poucos fui observando os detalhes daquela fatídica cena, na qual jamais esquecerei. Minha respiração era ofegante, meu coração disparava. Aquele momento fora, nos mínimos detalhes, planejado. Mas te vi apático, seu rosto me remetia à momentos sofrimento. [...] O verdadeiro espanto se deu, quando em teus olhos enxerguei um rio, não um rio comum, mas um rio sem direção, sem sentido algum. Permaneci estática. Te ver era demais para mim, que não imaginava mais nem ouvir seu nome. Por longos segundos nos entreolhamos com remorso, sabíamos exatamente o que queríamos, mas permanecíamos sem reação. Quando, finalmente suas mãos vieram ao meu encontro, recuei por instinto e dei um passo em falso, então, não enxerguei mais o chão, o céu, os degraus, você.O abrir de meus olhos se fez doloroso, e só então percebi que nada mais via, nada que havia feito me bastaria. Só conseguia escutar os zumbidos, ou se é que escutava algo. [...] Por alguns instantes pensei ter morrido, pensei não possuir mais as coisas que na vida terrena construí. Mas não poderia estar morta, eu pensava. Eu ainda era, talvez somente estava. Era difícil manter-me consciente, nada mais parecia fazer sentido. Até que por longos e incansáveis segundos , memórias de uma vida se passaram em minha mente que permanecia incapaz de pensar. [...] Todas as minhas lembranças escorreram pelas minhas mãos. Não era mais nada. Era de fato verdade, de nada mais me recordava, queria apenas que aquela sensação agonizante tivesse fim. Senti um toque suave sobre minhas mãos, mas não mais reconhecia quem estava envolto em tão familiar corpo. E nesse instante tive a absoluta certeza de que minha alma já não habitava aquele corpo, se é que tinha alma. Se não possuía, sua escassez se devia exclusivamente à você, que aos poucos me matara [...]
Julia Dutra.
Julia Dutra.
terça-feira, 12 de março de 2013
Espelho Trincado
Hoje fui me olhar no espelho,
E no espelho trincado,
Vi um garotinho chorando,
Com lábios trancados, marcados.
Seus olhos estavam pesados,
E sua mente,
E seu corpo.
Ali no espelho trincado
Ele me tocou,
Seus dedos pequenos atravessaram o espelho
E depois de um leve toque no meu rosto,
O garotinho correu,
e não compreendeu,
Que o espelho era eu,
O toque era eu,
O choro era eu,
O garotinho era eu.
Então,
Ele correu
e desapareceu.
Matheus Romano
E no espelho trincado,
Vi um garotinho chorando,
Com lábios trancados, marcados.
Seus olhos estavam pesados,
E sua mente,
E seu corpo.
Ali no espelho trincado
Ele me tocou,
Seus dedos pequenos atravessaram o espelho
E depois de um leve toque no meu rosto,
O garotinho correu,
e não compreendeu,
Que o espelho era eu,
O toque era eu,
O choro era eu,
O garotinho era eu.
Então,
Ele correu
e desapareceu.
Matheus Romano
domingo, 10 de março de 2013
Equilibrio
De repente o equilíbrio do universo caiu,
tudo podia acontecer nesse instante, mas o mais terrível aconteceu, meu mundo
se foi.
Aquilo podia aparentar ser um
acontecimento repentino, mas para mim não era algo inesperado. Desejos e
conquistas trariam felicidade, não em tempos como aquele. Pensamentos de
superação entre nós levavam ganancia a um, e ao mesmo tempo, derrota ao
outro.
Tudo o que nos tornava um só foi
corrompido por sentimentos vazios, os mesmos sentimentos que nos fizeram odiar
um ao outro.
Seria estranho para alguns imaginar
tal pensamento a respeito de um mundo, mas não importava em nada, pois ninguém
saberia o significado do meu mundo.
Mas por que, com todo esse ódio,
não fiquei feliz em ver aquele mundo que eu odiava se perder? Talvez pelo afeto
que já presenciei diante do mesmo.
Pergunto-me por que não mudei
aquele acontecimento, e como poderia fazê-lo. Mas com o conflito dessa
pergunta, me contento em refletir que o meu mundo não era grande demais para
possuir, mas pequeno demais para dar o devido valor.
Tauan Coutinho
terça-feira, 5 de março de 2013
Apoio
Era um simples homem, que todos os dias vestia uma das suas camisas
baratas, para ir ao trabalho, no qual passava por frustrações constantes. Nunca
realmente soube se era infeliz, somente queria ser como as outras pessoas, ou
simplesmente ter alguém para se lamentar, um apoio.
Viver em um lugar no qual era infeliz talvez não
fosse bom, mas talvez fosse melhor do que viver em um lugar no qual era
esquecido, não passava de uma ocupação de espaço. Nunca se destacaria no
trabalho, ou qualquer tarefa imposta, pois não tinha talento. Não compreendia a
falsidade que as pessoas lhe passavam, tentando passar por “afeto”. Esse homem
não era totalmente sozinho, ainda tinha parentes, uma possível família, mas se
sentia confuso, porque sempre que estava de frente com eles era visto como um
bom homem, mas quando se afastava, refletia ser um homem ruim, egoísta e
corrupto, de acordo com as pessoas que deveriam lhe dar amor.
Esse homem, não tinha ambições, talvez nem se
importasse por eu me referir a ele como um “simples homem”, e não chamá-lo pelo
nome. Isso não importa, talvez não mais.
Não sabia de que direção via aquilo. Varias pessoas
se lamentavam pela sua partida, sentimentos falsos, que somente seriam
verdadeiros, se fosse realmente amado por aquelas pessoas, todos se lamentavam.
De repente ele tinha se tornado um homem bom e exemplar na visão de todos.
Agora esse homem não queria mais ser como os outros,
ele só queria que algumas daquelas rosas viessem acompanhadas com lagrimas de
sentimentos verdadeiros.
Tauan Coutinho
Vida na morte
Dizem que diante da morte, a sua vida
passa diante dos seus olhos. Eu podia compreender, melhor, eu podia ver isso.
Assassinos matavam por vários
motivos: dinheiro, ambições, vingança e ate justiça. Não era um tipo comum o
meu, eu fazia isso por simplesmente conhecer as pessoas.
As pessoas escondem segredos,
mistérios e ações umas das outras... Em determinado momento, não podiam
esconder isso de mim. Não sabia como, mas a cada vitima, uma nova historia se
revelava diante dos meus olhos, a alegria, a tristeza, o medo, e o poder, cada
sentimento vivido, eu sentia de uma vez só.
Vivia em uma época em que as
pessoas faziam de tudo para sobreviver, pois semelhantes que se achavam superiores,
lhes tiravam o que era básico para sua vida, especificamente no século X.
Escolhia pessoas, que achava
interessante, que pudessem me levar a outras da mesma maneira. Conheci segredos
que destruíram reinados. Vi sonhos se partirem em instantes. Eu vivi varias
vidas, de camponeses, cavaleiros e ate reis.
Como fazia isso é um mistério
para mim, talvez pela falta de sentimentos na minha vida, precisava preencher
isso de alguma maneira. Não tinha interesse em ver aquelas pessoas sofrerem,
somente queria ver o que não podia.
Com o tempo que fazia isso,
as minhas breves convivências se tornaram mais longas, como se um segundo na
realidade valesse uma vida inteira, detalhadamente, vivia todos os momentos.
Isso mudou minhas
perspectivas de quem realmente sou, de quem era na noite passada e quantas
pessoas eu me tornei.
Em uma noite, por uma vitima,
aquilo mudou. Andava por um pequeno vilarejo, a procura de repouso, quando vi
um homem que caminhava a destino de uma floresta, curioso, decidi conhece-lo,
da minha maneira. Para minha surpresa, ele caminhava sem medo, não tão
diferente de mim. Subitamente, ele parou no meio da trilha, como se esperasse
pela minha ação. Rapidamente, retirei a lamina que guardava e a direcionei ao
peito da minha vitima, aquilo me revelou, o que jamais esquecerei.
Atrás daquelas árvores
imaginava que o livro no qual meu destino estava escrito chegava ao fim. Fugia
de pessoas que desejavam minha morte há qualquer custo, para conseguirem sua
vingança. Entrei em desespero, pois, não havia como me defender, estaria ali
para morrer.
Fui caçado como um
animal. Podia sentir o ódio nos olhos dos meus perseguidores, sabendo que seria
minha ultima visão. Naquele momento nada me passou pela mente, já que não tinha
feito nada pelo qual me tornasse aceito por todos, somente tinha realizado
ações que me marcaram pelo o que eu sou hoje, e esses mesmos atos me levaram a
tal perseguição. Quando fiquei cara a cara com as pessoas que pretendiam me
matar, esperei que somente fizessem o que desejavam... O que não os tornariam
tão diferente de mim. Subitamente, o tempo parou... nada aconteceu. Os homens
que me matariam se congelaram, inexplicavelmente. Movido não por um pensamento
logico, mas por um ato desesperado de sobrevivência, corri o mais rápido
possível tentando escapar daqueles homens, e ao mesmo tempo me perguntando o
que teria acontecido com o tempo, já que somente eu teria conseguido correr
dali. De repente, a resposta simplesmente caiu do céu. Uma simples gota de
sangue me fez esquecer todos os meus extintos e me mostrar o que eu nunca
esqueceria. Uma Lua cheia, não de luz, mas de sangue, das minhas vitimas, que
desejavam vingança.
Essa visão passou por mim
como um tormento, e ao mesmo tempo como uma revelação. A minha vitima não caiu
ao chão como um corpo, ela desapareceu como fumaça diante de mim, aquele era a
vitima que mais esperava... Eu mesmo.
Tauan
Coutinho
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