quinta-feira, 27 de junho de 2013

Busca

   Ver ela ali, parada, distante de tudo e de todos, era ruim, causava uma agonia como fosse um sinal
da minha responsabilidade sobre ela. E isso não podia acontecer, era como um fracasso próprio.
   Busquei as maneiras para faze-la esquecer daqueles problemas inúteis, que eram a fonte daquela
agonia que me afetava, então fui ao encontro daquele velho trem que ficava parado na nossa estação, 
que fazia um barulho irritante, o barulho que tentava preencher o vazio na mente das pessoas, enquanto 
todos gritavam "Pare esse trem".
   Por aqueles trilhos enferrujados subi o monte dos meus próprios pensamentos para encontra-la, 
mas parecia que tinha perdido meu próprio sentido, minha razão se direcionava para coisas contrarias.
   O frio talvez, fosse o pior inimigo, me fazia querer esquecer tudo aquilo, tudo em troca de um calor
qualquer. 
   Já que as pessoas pararam meu velho trem, decidi descer e pegar o caminho que levava até. Por entre
as sombras das arvores, tentava lembrar das maneiras que tinha para faze-la feliz, que
costumava usar para fazer até mesmo o meu próprio tempo passar.
   Quando cheguei no alto daquele monte, ela já estava afogando-se nas próprias lagrimas, desejando que outro alguém estivesse ali. Vendo isso descobri que ela não estava distante de todos, somente de mim. E todos aqueles meios que tinha para faze-la feliz, não os tinha esquecido, só não os tinha aprendido.


Tauan Coutinho

terça-feira, 25 de junho de 2013

Inspiração

   Sem deixar a menor duvida, era ela que batia a minha porta, a inspiração. Para tornar os sentimentos que dormem em mim, atos que se distorcem na visão de outras pessoas.
   Essa mesma inspiração que se torna a droga da minha consciência. Aquela simples sensação que excita os demônios prisioneiros da minha razão.
   Ela sutilmente senta ao meu lado, para escutar todas as minhas insatisfações, para tentar me mostrar que ela é a solução para todos os problemas.
   Deito - me com a cabeça em seu colo, para simbolizar a solidão que estou vivendo, e para receber um pouco de piedade.
   Em resposta, ela passa a mão pela minha cabeça, como um carinho que sempre desejava, então fecha meus olhos, para que os melhores sonhos possam acontecer.
   Com sua presença me sentia livre, mas ao mesmo tempo preso a sua proteção. Isso me tornava frágil, sendo quase inútil mundo afora.
   Mas talvez isso fosse bom, não precisaria viver com medo de tudo, estaria livre de tal fardo.
   Chegada o final de sua visita, ela beijava minha testa e se levantava, mostrava a mim de que não havia nada o que procurar, Pois a vida dentro da minha cabeça é mais segura do que fora daquelas paredes.
    Então lá vai ela, passando por aquela porta, indo iludir o resto de nossos irmãos.
 


   Tauan Coutinho