quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Dialeto

 
   Perdido, mas sempre rodeado por pessoas. Talvez fosse uma boa definição sobre o que eu passava naquele momento, ou em todo o tempo que passei ali. A solidão que era normal aos meus olhos agora assombrava a minha mente.
 
   Quem sabe se todos fossem iguais, eu não seria mais um dos infelizes, mas se fossemos, onde estaria a felicidade agora? Quem sabe.
 
   Se eu fugisse de todos, a minha mente seria mais feliz, ou já estaria morta. Mas se eu me agarrasse a pessoa mais encantadora que meus olhos pudessem ver, meu corpo queimaria na tentação.

   Na verdade não deveria estar ali, ou já deveria estar ali a muito tempo. Parece que o relógio chegou atrasado ao nosso encontro.
 
   Com todos não pude me comunicar, não falávamos a mesma língua. Minha ignorância não me deixou aprender a língua deles, e o medo não lhes permitiu que me interpretassem. Em meio a tantas línguas, minha boca não sentiu nem um sabor.
 
   Cercado pelas incertezas das palavras "Se", "Mas", "Talvez", a confusão doía na minha cabeça, Mas nunca me fizeram companhia. Pois essas palavras não mais faziam parte do meu jogo.


Tauan Coutinho

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poesia a Vinicius de Moraes

Suas rugas no rosto
revelam a riqueza de maturidade do seu espirito
quando jovem,
solista amador
um poeta sofredor,
retratante da tristeza
expressa com tal clareza
que só à reconhece
quem à conhece .

Amigo das palavras
sua boca nunca cala
como os versos que hoje ainda
quem chora guarda,
quem ama guarda,
quem se entristece guarda.

Versos eternos são os teus
Quem me dera um dia
assim,
serem os meus.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pagina antiga 16/04/09

Me disseram para esquecer a poesia
A indecisa recuperação da minha mente
e a alegria que socorria os meus gritos.

Me disseram para abandonar a dissertante e vaga ideia dos sonhos
tão amedrontados
Que eu sonhava em sonhar
mas nunca sonhei.

Me disseram para acordar
minha fadiga era tanta
que rasguei os lábios outra vez e
aos berros socorri a mão ao peito
caindo de bruços
nos braços da minha cama,
escondendo de mim a minha própria verdade.

Me disseram isso,
me disseram aquilo,
Enfim, não dei ouvidos.

Matheus R. Viana

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Versos Tristes


"Escrever é como morrer
 é como jogar o coração no chão
 deixa-lo nas páginas grampeadas
 e amassa-lo, pisa-lo, escarra-lo.

 Escrever é como abandonar a paz
 um abraço no tormento
 na dor
 no desalento.

 Escrevo abraçando o ódio
 me sufocando dentre a tristeza
 causando minha própria despesa mental

 Escrevo quando estou triste
 porque quando feliz, eu vivo
 do contrário, eu morro"

 Matheus Romano

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Substituível


   Sempre pensei que poderia ser substituído, que a outra pessoa andando do meu lado poderia fazer tudo o que eu posso fazer, e até melhor. Todos ou qualquer um poderiam tomar o lugar que nunca foi meu.
   Se isso for realmente verdade, vou me cansar de tanto perguntar "Por que devo me importar?". Talvez feito isso, vou tirar o peso das minhas costas e jogar em cima de alguns, de alguns que são todos, e os todos que não são ninguém.
   Já que todos podem ficar no meu lugar, simplesmente vou procurar outro por ai. Esse outro lugar que eu sempre vou desejar em estar, o lugar em que meu ego e egoísmo vão me tornar único e insubstituível.




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Diário.

Acordo, levanto, olho no espelho,  olho as horas, tomo banho, apronto-me, como, saio, chego, leio, escrevo, penso, aprendo, esqueço, tenho sono, tenho fome, tenho medo, o coraçao gela, as mãos tremem, sorrio, me decepciono, amo, beijo, volto, me contento, estudo, leio, escrevo, tenho sono, levanto, entro, saio, entro, tenho fome, como, te escrevo, te imagino, estudo, estudo, estudo, estudo, penso em você, tenho medo, choro, rio, me recordo, sinto saudade, choro, me desespero,  durmo, acordo, mal me recordo dos motivos do meu pranto, esqueço, levanto, olho no espelho, tudo de novo outra vez.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Existência

Talvez não era, não foi ou ainda será,
Só por um momento aquilo irá,
No clarão do dia se apagar
E na boca dos muitos irá parar.

Talvez não era, na nova era
Para acontecer, a mais bela das especies
Não deveria nascer, para que com o tempo
Não suplicasse para a morte lhe conter.

Mas a certeza que fugiu,
Na sexta palavra do segundo verso
Desse emaranhado de palavras,
Fugaz tentou, e foi.

Mas na luz da noite e,
Na escuridão do dia,
O sorriso da menina estará,
Não era, não foi, mas ainda será.


Tauan Coutinho