Ali,
Parado na calçada de pedra,
Eu via as barbas do profeta
Os olhos do profeta
O escuro do profeta.
O cigarro de palha,
Da esquina fedia
E queimava nos dedos da vadia que o fumava
E atrapalhavam os clientes que ali passavam.
Ali,
Parada no céu estava a lua
Nua,
Envergonhada e triste,
Sem sorriso
Sem luz
Sem estrelas.
Do outro lado da terra,
O sol zombava dela
Da lua amarela
Que nunca
Em noite alguma
Fora tão bela.
Ali
Parado,
Do outro lado,
Estava eu,
Vadio infeliz
Com os dentes escondidos amarelos,
Com a ponta dos dedos a queimar,
Chorando e,
Olhando nos olhos do profeta,
De frente para o profeta,
Que não preveu,
Que não morreu.
Matheus R. Viana
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