terça-feira, 5 de março de 2013

Vida na morte


 
    Dizem que diante da morte, a sua vida passa diante dos seus olhos. Eu podia compreender, melhor, eu podia ver isso.
   Assassinos matavam por vários motivos: dinheiro, ambições, vingança e ate justiça. Não era um tipo comum o meu, eu fazia isso por simplesmente conhecer as pessoas.

   As pessoas escondem segredos, mistérios e ações umas das outras... Em determinado momento, não podiam esconder isso de mim. Não sabia como, mas a cada vitima, uma nova historia se revelava diante dos meus olhos, a alegria, a tristeza, o medo, e o poder, cada sentimento vivido, eu sentia de uma vez só.

   Vivia em uma época em que as pessoas faziam de tudo para sobreviver, pois semelhantes que se achavam superiores, lhes tiravam o que era básico para sua vida, especificamente no século X.

   Escolhia pessoas, que achava interessante, que pudessem me levar a outras da mesma maneira. Conheci segredos que destruíram reinados. Vi sonhos se partirem em instantes. Eu vivi varias vidas, de camponeses, cavaleiros e ate reis.

   Como fazia isso é um mistério para mim, talvez pela falta de sentimentos na minha vida, precisava preencher isso de alguma maneira. Não tinha interesse em ver aquelas pessoas sofrerem, somente queria ver o que não podia.

   Com o tempo que fazia isso, as minhas breves convivências se tornaram mais longas, como se um segundo na realidade valesse uma vida inteira, detalhadamente, vivia todos os momentos.

   Isso mudou minhas perspectivas de quem realmente sou, de quem era na noite passada e quantas pessoas eu me tornei.

   Em uma noite, por uma vitima, aquilo mudou. Andava por um pequeno vilarejo, a procura de repouso, quando vi um homem que caminhava a destino de uma floresta, curioso, decidi conhece-lo, da minha maneira. Para minha surpresa, ele caminhava sem medo, não tão diferente de mim. Subitamente, ele parou no meio da trilha, como se esperasse pela minha ação. Rapidamente, retirei a lamina que guardava e a direcionei ao peito da minha vitima, aquilo me revelou, o que jamais esquecerei.

   Atrás daquelas árvores imaginava que o livro no qual meu destino estava escrito chegava ao fim. Fugia de pessoas que desejavam minha morte há qualquer custo, para conseguirem sua vingança. Entrei em desespero, pois, não havia como me defender, estaria ali para morrer.

    Fui caçado como um animal. Podia sentir o ódio nos olhos dos meus perseguidores, sabendo que seria minha ultima visão. Naquele momento nada me passou pela mente, já que não tinha feito nada pelo qual me tornasse aceito por todos, somente tinha realizado ações que me marcaram pelo o que eu sou hoje, e esses mesmos atos me levaram a tal perseguição. Quando fiquei cara a cara com as pessoas que pretendiam me matar, esperei que somente fizessem o que desejavam... O que não os tornariam tão diferente de mim. Subitamente, o tempo parou... nada aconteceu. Os homens que me matariam se congelaram, inexplicavelmente. Movido não por um pensamento logico, mas por um ato desesperado de sobrevivência, corri o mais rápido possível tentando escapar daqueles homens, e ao mesmo tempo me perguntando o que teria acontecido com o tempo, já que somente eu teria conseguido correr dali. De repente, a resposta simplesmente caiu do céu. Uma simples gota de sangue me fez esquecer todos os meus extintos e me mostrar o que eu nunca esqueceria. Uma Lua cheia, não de luz, mas de sangue, das minhas vitimas, que desejavam vingança.

   Essa visão passou por mim como um tormento, e ao mesmo tempo como uma revelação. A minha vitima não caiu ao chão como um corpo, ela desapareceu como fumaça diante de mim, aquele era a vitima que mais esperava... Eu mesmo.


    Tauan Coutinho                 

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