Então você acorda. Lava os olhos,
escova os dentes e logo depois toma café da manhã. Se senta-se à mesa sozinho,
pensa por alguns segundos, mas acaba desistindo por falta de coragem, pois
já sabe que seu pensamento será vago. Então se levanta da mesa deixando os
copos por lavar e a mesa suja de migalhas de pão. Volta para o quarto e se
deita na cama. Nada lhe vem a mente além de seus pobres e míseros dias
fracassados. Você tenta chorar, mas não consegue, tenta sorrir, mas algo o
atrapalha. Passam-se horas e você não quer se levantar, a dor no seu peito não
deixa você parece estar preso, acorrentado, mas então lhe vem à mente o fato de
você mesmo se aprisionar. Você chora por ter total certeza de que você é um
inútil, lamenta e lamenta. Quando menos percebe já é anoite, e tudo que
você fez foi ficar na cama se lamentando. Logo vem a sua mente um pequeno
rastro de fome, mas logo se esquece por se queixar de tantas magoas. Procura
dormir, mas não consegue, procura sorrir, mas não consegue, procura ter amigos,
mas não consegue. Então acaba desistindo de procurar. E acaba morrendo ali,
cansado, de amigos, do dia, da noite, do computador, da rua, do barulho dos
carros na avenida, da sua família, dos seus animais. Cansado de começar tudo
outra vez em um lugar novo. Cansado de acertar e dizerem que está errado.
Cansado de si mesmo. Cansado de tudo.
Matheus R. Viana
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