Ver aquela jovem daquela maneira, talvez fosse triste, mas para mim era satisfatório, me senti útil, com algum poder de misericórdia sobre alguém.
Ali, caída ao chão, estava alguém que pude ajudar. Não mais sofria, graças a mim.
Perdido em qualquer lugar, andava sem medo, procurando o que talvez eu não fosse encontrar.
Parei para me sentar em um banco, sem me incomodar pela moça que estava ao lado. Pretendia ignora-la, como o resto das pessoas fazia a mim. Mas pelo visto, aquela mulher me esperava. Tentou falar comigo, com um tom de voz angustiante, como se falasse com uma pessoa realmente desejada.
Perguntou me se era eu quem ela esperava. Confuso, tentei me acalmar e acabar com suas expectativas. Falei que era somente um homem, nada mais.
Subitamente, ela falou sobre seus erros e desesperos, como se suplicasse ao destino por piedade.
Já não desejava nada, somente não se responsabilizar por tudo o que fez.
Clamava a minha ajuda, ou o meu perdão. Mas estava eu realmente confuso, por que pediria o perdão para alguém como eu?
Talvez devesse ter tentado acalma-la, ou tentar não ignorar o que ela falava.
Em todas suas lamentações pediu o meu perdão, o que ao meu ver parecia inútil, pois não seria eu capaz de absorver qualquer tipo de pecado.
Friamente, quando parecia que ela já não tinha argumentos para mim, me fez um pedido.
Desejava que lhe desse um fim, com o mesmo olhar dos que a julgavam, para que ela sempre pudesse se lembrar do que fizera, e que aquilo pudesse simbolizar uma punição.
Isso realmente foi estranho, mas pelo visto, minha pena, me fez parar em tal situação.
Tauan Coutinho
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