domingo, 31 de março de 2013

Certo dia...


Então você acorda. Lava os olhos, escova os dentes e logo depois toma café da manhã. Se senta-se à mesa sozinho, pensa por alguns segundos, mas acaba desistindo por falta de coragem, pois já sabe que seu pensamento será vago. Então se levanta da mesa deixando os copos por lavar e a mesa suja de migalhas de pão. Volta para o quarto e se deita na cama. Nada lhe vem a mente além de seus pobres e míseros dias fracassados. Você tenta chorar, mas não consegue, tenta sorrir, mas algo o atrapalha. Passam-se horas e você não quer se levantar, a dor no seu peito não deixa você parece estar preso, acorrentado, mas então lhe vem à mente o fato de você mesmo se aprisionar. Você chora por ter total certeza de que você é um inútil, lamenta e lamenta. Quando menos percebe já é anoite, e tudo que você fez foi ficar na cama se lamentando. Logo vem a sua mente um pequeno rastro de fome, mas logo se esquece por se queixar de tantas magoas. Procura dormir, mas não consegue, procura sorrir, mas não consegue, procura ter amigos, mas não consegue. Então acaba desistindo de procurar. E acaba morrendo ali, cansado, de amigos, do dia, da noite, do computador, da rua, do barulho dos carros na avenida, da sua família, dos seus animais. Cansado de começar tudo outra vez em um lugar novo. Cansado de acertar e dizerem que está errado. Cansado de si mesmo. Cansado de tudo.

Matheus R. Viana

segunda-feira, 25 de março de 2013

O beijo

Ainda sinto o gosto dos teus lábios nos meus,
Quando olho pra lua,
Olho nos teus olhos,
E nos teus olhos queria eu,
Pobre,
Fraco e inútil morar.
Sem moral,
Sem regras,
Apenas viver ali,
Cuidando dos teus olhos,
Olhando teus lábios,
Fazendo carinhos a sua pele.

Ainda sinto o gosto do seu rosto nas minhas mãos.
Ainda sinto o aroma de seu perfume nas minhas roupas,
Ainda sinto você,
Em mim,
Sorrindo,
e me fazendo sorrir.

Matheus R. Viana

sábado, 23 de março de 2013

Vezes


As vezes me desmonto em meio a prantos.
As vezes jogo pratos no vento,
E os faço desmontar.

As vezes tenho medo de ser eu,
As vezes tenho vontade de chorar.

Mas só as vezes...
Quando esqueço o que sou,
A felicidade vem me visitar,
Me traz um prato,
E prantos colados,
Que eu joguei no vento,
Com a intenção de desmontar.

Matheus R. Viana

terça-feira, 19 de março de 2013

Vazio


        Foi difícil para mim, descobrir que tudo e todos não passavam de uma mentira, que tudo aquilo que me cercava não passava de ilusões para me prender em realidades falsas.
      Não demorou para que eu percebe-se  tudo aquilo. Sempre foi normal pensar que todos tinham próprios caminhos, que independe do que acontece–se comigo, todas as pessoas seguiriam em frente.
      Mas tudo era mentira, todas as pessoas não passavam de fantoches. Existiam somente para não me sentir sozinho, em um vazio quase indescritível.
      Alguns desses eram próximos, me faziam acreditar que realmente podiam ser diferentes de mim, de tudo que eu podia imaginar, mas eles eram apenas partes perdidas da minha imaginação.
     Imaginar que tudo o que acontecia somente era isso, situações complexas nada mais eram do que uma simples ilusão. Realmente era triste descobrir aquilo.
     Mas continuei vivendo aquela mentira, tentando encontrar alguma razão naquilo tudo, por medo de cair em um vazio sem propósito.
       No final das contas, nada mais sou, do que um protagonista de uma peça ruim.


Tauan Coutinho.

domingo, 17 de março de 2013

O reencontro.

Esperava por aquele momento como se fosse o último. Contava os segundos para olhar dentro de seus olhos, que me remetiam a sentimentos que iam além de meu imaginário. Você me fazia bem, me mantinha em  seus braços de forma com que nada pudesse me atingir. Me lembro bem do seu sorriso torto, da sua face pálida, mas que se corava quando um beijo eu lhe dava. Eramos felizes. Você me completava, era tudo o que eu tinha, mas eu sempre quis mais. Certo dia me cansei do seu amor, do seu carinho, me cansei de seus beijos faces e sorrisos, e decidi partir sem dar explicações. Queria viver a vida boemia, talvez assim esquecesse do amor, que foi tão forte que de repente me entediou. Aproveitei noites e mais noites na companhia de cortesãs e acompanhantes, mas nenhuma se comparava à você. De vez em quando perguntava à conhecidos como você estava, eles sempre me negavam a responder. Até que percebi que a vida devassa não me levara a lugar algum, só me confirmara cada vez mais que o meu lugar era com você e ninguém mais. Queria de novo seu carinho, seu olhar, seu sorriso, seu beijo, seu abraço, acima de tudo queria você. Em todos os lugares que ia, meus olhos involuntariamente procuravam por você. Com muita insistência de minha parte uma antiga amiga me contou onde você morava. Mas chegando lá percebi que ninguém estava. Todos os dias batia à sua porta, mas nada ali parecia se mover, tudo parecia morto. Até que um dia, quando à sua porta eu bati escutei um choro baixinho, mas que reconheceria mesmo que à vinte mil léguas submarinas. Era você. Deixei por debaixo da porta um bilhete com local e horário marcados, era minha última esperança, eu precisava te ver. A "escadaria para o paraíso" fora o local marcado, era o nosso lugar, e então, às dezenove horas lá estava eu, escondido entre as pilastras esperando por você. Meu coração mantinha-se disparado, a cada segundo percebia estar mais perto de você. Ouvi passos singelos no piso de madeira de que era feita a ingrime escada. Senti sua presença, era você. Me afastei do topo da escadaria, agora mais escondido, escutava os passos cada vez mais rápidos, até que se paralisaram. Sai do meu esconderijo e não hesitei em abrir um enorme sorriso. Ela estava com uma palidez assustadora, parecia não ver a luz do dia há anos. Estava bem diferente da época em que estávamos juntos, me lembro dela radiante, mas agora não mais. Nos olhamos incansavelmente por alguns segundos, até que estiquei meus braços para que fossem de encontro às mãos de minha doce amada, que hesitou e tropeçou e rolando saiu escada à baixo. Fiquei estático por um longo segundo, não sabia o que fazer. Quando desci as escadas vi seu corpo, que já pairava imóvel sob o assoalho úmido daquele local. Involuntariamente coloquei minha mão sobre a sua, mas já não sentia seu pulso. Estava morta. Eu matei quem mais me amou nessa vida. [...] Era um monstro, esperei tanto tempo por esse reencontro e tudo acaba assim, sem nenhuma palavra trocada. [...] Mesmo que fosse estranho, estava feliz, se ela fora a meu encontro foi porque ainda me amara. Não   era digno de tão puro amor...

Julia Dutra






                   

sábado, 16 de março de 2013

Alma.

Subi com cautela a ingrime escadaria que pairava grandiosa sob o meu olhar. E com singelos passos alcancei o ápice da insensatez. Era você, simples, frágil e um pouco intimidado com minha presença. Aos poucos fui observando os detalhes daquela fatídica cena, na qual jamais esquecerei. Minha respiração era ofegante, meu coração disparava. Aquele momento fora, nos mínimos detalhes, planejado. Mas te vi apático, seu rosto me remetia à momentos sofrimento. [...]  O verdadeiro espanto se deu, quando em teus olhos enxerguei um rio, não um rio comum, mas um rio sem direção, sem sentido algum. Permaneci estática. Te ver era demais para mim, que não imaginava mais nem ouvir seu nome. Por longos segundos nos entreolhamos com remorso, sabíamos exatamente o que queríamos, mas permanecíamos sem reação. Quando, finalmente suas mãos vieram ao meu encontro, recuei por instinto e dei um passo em falso, então, não enxerguei mais o chão, o céu, os degraus, você.O abrir de meus olhos se fez doloroso, e só então percebi que nada mais via, nada que havia feito me bastaria. Só conseguia escutar os zumbidos, ou se é que escutava algo. [...] Por alguns instantes pensei ter morrido, pensei não possuir mais as coisas que na vida terrena construí. Mas não poderia estar morta, eu pensava. Eu ainda era, talvez somente estava. Era difícil manter-me consciente, nada mais parecia fazer sentido. Até que por longos e incansáveis segundos , memórias de uma vida se passaram em minha mente que permanecia incapaz de pensar. [...] Todas as minhas lembranças escorreram pelas minhas mãos. Não era mais nada. Era de fato verdade, de nada mais me recordava, queria apenas que aquela sensação agonizante tivesse fim. Senti um toque suave sobre minhas mãos, mas não mais reconhecia quem estava envolto em tão familiar corpo. E nesse instante tive a absoluta certeza de que minha alma já não habitava aquele corpo, se é que tinha alma. Se não possuía, sua escassez se devia exclusivamente à você, que aos poucos me matara [...]

Julia Dutra.

terça-feira, 12 de março de 2013

Espelho Trincado

Hoje fui me olhar no espelho,
E no espelho trincado,
Vi um garotinho chorando,
Com lábios trancados, marcados.

Seus olhos estavam pesados,
E sua mente,
E seu corpo.

Ali no espelho trincado
Ele me tocou,
Seus dedos pequenos atravessaram o espelho
E depois de um leve toque no meu rosto,
O garotinho correu,
e não compreendeu,

Que o espelho era eu,
O toque era eu,
O choro era eu,
O garotinho era eu.

Então,
Ele correu
e desapareceu.


Matheus Romano

domingo, 10 de março de 2013

Equilibrio


   De repente o equilíbrio do universo caiu, tudo podia acontecer nesse instante, mas o mais terrível aconteceu, meu mundo se foi.
     Aquilo podia aparentar ser um acontecimento repentino, mas para mim não era algo inesperado. Desejos e conquistas trariam felicidade, não em tempos como aquele. Pensamentos de superação entre nós levavam ganancia a um, e ao mesmo tempo, derrota ao outro. 
    Tudo o que nos tornava um só foi corrompido por sentimentos vazios, os mesmos sentimentos que nos fizeram odiar um ao outro.
    Seria estranho para alguns imaginar tal pensamento a respeito de um mundo, mas não importava em nada, pois ninguém saberia o significado do meu mundo.
    Mas por que, com todo esse ódio, não fiquei feliz em ver aquele mundo que eu odiava se perder? Talvez pelo afeto que já presenciei diante do mesmo.
    Pergunto-me por que não mudei aquele acontecimento, e como poderia fazê-lo. Mas com o conflito dessa pergunta, me contento em refletir que o meu mundo não era grande demais para possuir, mas pequeno demais para dar o devido valor.

Tauan Coutinho

terça-feira, 5 de março de 2013

Apoio

   Era um simples homem, que todos os dias vestia uma das suas camisas baratas, para ir ao trabalho, no qual passava por frustrações constantes. Nunca realmente soube se era infeliz, somente queria ser como as outras pessoas, ou simplesmente ter alguém para se lamentar, um apoio.

      Viver em um lugar no qual era infeliz talvez não fosse bom, mas talvez fosse melhor do que viver em um lugar no qual era esquecido, não passava de uma ocupação de espaço. Nunca se destacaria no trabalho, ou qualquer tarefa imposta, pois não tinha talento. Não compreendia a falsidade que as pessoas lhe passavam, tentando passar por “afeto”. Esse homem não era totalmente sozinho, ainda tinha parentes, uma possível família, mas se sentia confuso, porque sempre que estava de frente com eles era visto como um bom homem, mas quando se afastava, refletia ser um homem ruim, egoísta e corrupto, de acordo com as pessoas que deveriam lhe dar amor.

      Esse homem, não tinha ambições, talvez nem se importasse por eu me referir a ele como um “simples homem”, e não chamá-lo pelo nome. Isso não importa, talvez não mais.

     Não sabia de que direção via aquilo. Varias pessoas se lamentavam pela sua partida, sentimentos falsos, que somente seriam verdadeiros, se fosse realmente amado por aquelas pessoas, todos se lamentavam. De repente ele tinha se tornado um homem bom e exemplar na visão de todos.

     Agora esse homem não queria mais ser como os outros, ele só queria que algumas daquelas rosas viessem acompanhadas com lagrimas de sentimentos verdadeiros.


Tauan Coutinho

Vida na morte


 
    Dizem que diante da morte, a sua vida passa diante dos seus olhos. Eu podia compreender, melhor, eu podia ver isso.
   Assassinos matavam por vários motivos: dinheiro, ambições, vingança e ate justiça. Não era um tipo comum o meu, eu fazia isso por simplesmente conhecer as pessoas.

   As pessoas escondem segredos, mistérios e ações umas das outras... Em determinado momento, não podiam esconder isso de mim. Não sabia como, mas a cada vitima, uma nova historia se revelava diante dos meus olhos, a alegria, a tristeza, o medo, e o poder, cada sentimento vivido, eu sentia de uma vez só.

   Vivia em uma época em que as pessoas faziam de tudo para sobreviver, pois semelhantes que se achavam superiores, lhes tiravam o que era básico para sua vida, especificamente no século X.

   Escolhia pessoas, que achava interessante, que pudessem me levar a outras da mesma maneira. Conheci segredos que destruíram reinados. Vi sonhos se partirem em instantes. Eu vivi varias vidas, de camponeses, cavaleiros e ate reis.

   Como fazia isso é um mistério para mim, talvez pela falta de sentimentos na minha vida, precisava preencher isso de alguma maneira. Não tinha interesse em ver aquelas pessoas sofrerem, somente queria ver o que não podia.

   Com o tempo que fazia isso, as minhas breves convivências se tornaram mais longas, como se um segundo na realidade valesse uma vida inteira, detalhadamente, vivia todos os momentos.

   Isso mudou minhas perspectivas de quem realmente sou, de quem era na noite passada e quantas pessoas eu me tornei.

   Em uma noite, por uma vitima, aquilo mudou. Andava por um pequeno vilarejo, a procura de repouso, quando vi um homem que caminhava a destino de uma floresta, curioso, decidi conhece-lo, da minha maneira. Para minha surpresa, ele caminhava sem medo, não tão diferente de mim. Subitamente, ele parou no meio da trilha, como se esperasse pela minha ação. Rapidamente, retirei a lamina que guardava e a direcionei ao peito da minha vitima, aquilo me revelou, o que jamais esquecerei.

   Atrás daquelas árvores imaginava que o livro no qual meu destino estava escrito chegava ao fim. Fugia de pessoas que desejavam minha morte há qualquer custo, para conseguirem sua vingança. Entrei em desespero, pois, não havia como me defender, estaria ali para morrer.

    Fui caçado como um animal. Podia sentir o ódio nos olhos dos meus perseguidores, sabendo que seria minha ultima visão. Naquele momento nada me passou pela mente, já que não tinha feito nada pelo qual me tornasse aceito por todos, somente tinha realizado ações que me marcaram pelo o que eu sou hoje, e esses mesmos atos me levaram a tal perseguição. Quando fiquei cara a cara com as pessoas que pretendiam me matar, esperei que somente fizessem o que desejavam... O que não os tornariam tão diferente de mim. Subitamente, o tempo parou... nada aconteceu. Os homens que me matariam se congelaram, inexplicavelmente. Movido não por um pensamento logico, mas por um ato desesperado de sobrevivência, corri o mais rápido possível tentando escapar daqueles homens, e ao mesmo tempo me perguntando o que teria acontecido com o tempo, já que somente eu teria conseguido correr dali. De repente, a resposta simplesmente caiu do céu. Uma simples gota de sangue me fez esquecer todos os meus extintos e me mostrar o que eu nunca esqueceria. Uma Lua cheia, não de luz, mas de sangue, das minhas vitimas, que desejavam vingança.

   Essa visão passou por mim como um tormento, e ao mesmo tempo como uma revelação. A minha vitima não caiu ao chão como um corpo, ela desapareceu como fumaça diante de mim, aquele era a vitima que mais esperava... Eu mesmo.


    Tauan Coutinho